Santo André abre primeira Casa Terapêutica do ABC
Adultos a partir de 18 anos que vivem em situação de rua e enfrentam problemas decorrentes do uso de substâncias psicoativas passam a contar com um novo suporte na região metropolitana. Em parceria com o governo paulista, a Prefeitura de Santo André abriu as portas da primeira Casa Terapêutica do Grande ABC, unidade residencial pública voltada ao acolhimento e reinserção social desse público. O ingresso dos pacientes no programa é realizado mediante encaminhamento direto da rede municipal de saúde.
O prefeito Gilvan Ferreira ressaltou o impacto social da medida: “A primeira Casa Terapêutica do ABC, em Santo André, representa um avanço no acolhimento às pessoas em situação de rua. Nosso objetivo é oferecer cuidado, dignidade e oportunidades para que essas pessoas possam superar desafios, recuperar sua autonomia e reconstruir suas vidas”.
Estrutura e suporte profissional no Jardim Bela Vista
Instalado no bairro Jardim Bela Vista, o imóvel oferece infraestrutura completa com quartos, suítes, cozinhas, salas de convivência e área externa para recreação. O espaço opera com atendimento totalmente gratuito e pode abrigar cada assistido por um período de até dois anos, dependendo de diagnósticos periódicos.
Para assegurar a recuperação integral, o local conta com um corpo multidisciplinar formado por assistentes sociais, psicólogos, pedagogos, nutricionistas, arteterapeutas e educadores financeiros. As atividades diárias englobam desde noções de autocuidado e higiene até capacitação profissional, geração de renda e preparação para obtenção de moradia definitiva.
O secretário municipal de Assistência Social, Eduardo Leite, destacou a importância da integração de esforços no município: “Estamos muito felizes pela escolha da cidade de Santo André para receber esta nova Casa Terapêutica, a primeira do ABC. É ótimo vermos todas as entidades presentes, parceiros e parceiras que trabalham diariamente nas políticas públicas que buscam acolher pessoas em situação de rua e vulnerabilidade social. Temos que entender a realidade de cada um, os motivos para a pessoa estar naquela situação. Venho aqui com o sentimento de muita alegria de poder fazer parte desse espaço de tratamento com dignidade, carinho e a oportunidade de recomeçar, todos temos direito”.
As quatro etapas do processo de reabilitação
O plano terapêutico desenvolvido para os residentes é estruturado em uma metodologia progressiva, dividida em quatro momentos específicos:
Acolher
Fase inicial dedicada ao resgate de hábitos básicos do dia a dia, como organização pessoal e higiene, além do desenvolvimento de laços de convivência e elaboração de um plano de atendimento sob medida.
Despertar
Momento em que se intensificam dinâmicas coletivas, intervenções psicológicas, práticas culturais e oficinas voltadas a fortalecer a sociabilidade e traçar metas futuras individuais.
Transformar
Etapa prática voltada ao incentivo para o retorno aos estudos, aprendizado de novas habilidades e estímulo ao ingresso no mercado de trabalho, priorizando a emancipação financeira do acolhido.
Caminhar
Fase conclusiva em que o indivíduo passa a residir em moradia própria e administra sua renda, sem perder a retaguarda dos especialistas para consolidar a transição com segurança.
Mesmo após finalizar integralmente o ciclo terapêutico, o participante continua sob monitoramento dos profissionais por um prazo mínimo de seis meses, medida focada na prevenção de recaídas e na sustentabilidade da independência recém-adquirida.
