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Mauá debate combate à fome e direito à alimentação

O Teatro Municipal de Mauá recebeu na manhã desta quarta-feira (21/10) o III Seminário de Segurança Alimentar e Nutricional e a IV Conferência Municipal da pasta, organizados pela Secretaria de Segurança Alimentar e Nutricional da prefeitura. Sob o lema “Comida de verdade, democracia e participação social: construindo o Direito Humano à Alimentação em Mauá”, o evento integrou a programação da Semana Municipal da Alimentação para fortalecer o acesso a mantimentos e combater a fome na região.

Desafios da fome e ações locais

Durante a abertura, o prefeito Marcelo Oliveira pontuou as iniciativas adotadas pelo município para garantir o acesso a mantimentos em áreas vulneráveis, mencionando o Restaurante Popular Móvel e parcerias com redes supermercadistas. “É inadmissível ter pessoas passando fome em pleno século XXI”, indignou-se o prefeito Marcelo Oliveira. Ele lembrou que no Brasil, há mais de 20 anos, o programa Fome Zero possibilitou que o país saísse do Mapa da Fome das Nações Unidas. “Em Mauá, nos empenhamos em políticas públicas para ampliar o acesso ao alimento, como com o Restaurante Popular Móvel e as parcerias com supermercados que permitem o fornecimento de alimentos com produtos que vão além dos itens da cesta básica. E que chegam a locais extremamente vulneráveis”, disse.

O presidente do Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), Alex Trajano, destacou que “o direito à alimentação de qualidade consta na Constituição Federal e espaços de debate com participação popular, como o seminário e a conferência, são garantidos por lei” e são uma forma de debater com a sociedade as políticas a serem desenvolvidas, num estado democrático de direito.

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Articulação entre secretarias e sociedade

A gestão participativa foi o tom adotado por diferentes representantes da administração pública municipal. Para o secretário da pasta, Hélio Thomaz, ”em Mauá as políticas públicas de segurança alimentar são feitas a quatro mãos, com entidades, conselhos, secretarias municipais e população, lutando para garantir o alimento e o fortalecimento das instituições.” Para a secretária de Assistência Social, Fernanda Oliveira, “o essencial é o cuidado com os cidadãos, trabalhando de forma articulada para que o alimento chegue na mesa.” O secretário-adjunto do Meio Ambiente, Rogério Santana, fez questão de lembrar que “para ter seguridade alimentar é preciso cuidar do meio ambiente.”

Palestras técnicas e agricultura familiar

A programação contou com palestras voltadas para a sustentabilidade, produção agrícola e nutrição. O administrador João Tadeu Pereira abordou a Agricultura Familiar e detalhou etapas de custeio e distribuição de itens essenciais. Para o especialista, “não se estabelece a agricultura familiar sem uma legislação. Configura-se este modelo pela área de 5 a 105 hectares, onde trabalhem os membros de uma família e, normalmente, as mulheres estão à frente dessa gestão.”

Em seguida, a nutricionista Bruna Rúbia de Lima Prado Bacha tratou da proteção e promoção da saúde através da alimentação. “A fome hoje tem cor, renda e gênero. Não é falta de comida, mas falta de acesso, como o desemprego, o preço e o tempo disponível para a preparação de uma alimentação saudável.” Para a pesquisadora, a nutrição, em todas as fases da vida, protege, previne agravos, promove a saúde e contribui para o desenvolvimento individual e social.” Segundo Bruna Rúbia, o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan) do Governo Federal possibilita a estabilidade, regularidade do acesso e consumo adequado e produção dos alimentos saudáveis, além da utilização biológica dos alimentos.

Caminhos e perspectivas futuras

Entre os principais entraves apontados pelos especialistas estão a superação das desigualdades socioeconômicas, a regulação de propagandas voltadas para o público infantil e a promoção de sistemas sustentáveis. Como soluções, foram indicados o apoio aos produtores locais, a expansão de programas educativos e a governança intersetorial envolvendo saúde, educação e agricultura.

Encerrando as atividades, a presidente do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), Elisabetta Recine, enviou um vídeo para congratular a participação no evento, em que valorizou o crescimento dos conselhos e câmaras nos municípios, porque é localmente que se tem o conhecimento sobre a realidade da população.

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