Santo André abre edital de R$ 8 mil para o Novembro Negro
A Secretaria de Cultura de Santo André lançou um chamamento público voltado a artistas e coletivos para integrar o calendário de atividades do Novembro Negro 2026. A iniciativa selecionará até dez projetos culturais, com repasse individual de R$ 8 mil (valor bruto). As ações selecionadas serão apresentadas entre os dias 27 e 29 de novembro em diversos equipamentos e espaços públicos da cidade.
Inscrições e regras de participação
Os interessados devem cadastrar suas propostas até a próxima segunda-feira, dia 2, exclusivamente pela plataforma digital CulturAZ. Podem concorrer artistas, grupos e coletivos representados por pessoa jurídica, o que inclui Microempreendedores Individuais (MEI). Para a validação, a empresa precisa estar registrada no nome do próprio artista, de um integrante do grupo ou de seu representante exclusivo, com atividade econômica correspondente à área cultural inscrita.
O cronograma detalhado, com datas, horários e locais exatos de cada exibição, será determinado posteriormente pela gestão municipal.
Variedade de linguagens e tradições
A chamada busca incentivar a produção cultural afro-brasileira e dar visibilidade aos realizadores locais, fortalecendo a luta antirracista. A seleção engloba diversos segmentos, incluindo apresentações de dança, teatro, circo, música, intervenções e performances, além de saraus, slams e batalhas de rima ligadas ao hip hop.
O edital também contempla iniciativas formativas, como palestras, debates, contação de histórias e oficinas. Manifestações populares e de matriz africana — entre elas maracatu, capoeira, jongo e samba de roda —, executadas inclusive por comunidades tradicionais de terreiro, têm espaço garantido nas opções de inscrição.
A trajetória da Consciência Negra no Brasil
O evento faz referência direta ao Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro. O marco recorda a morte de Zumbi, em 1695, lendário líder do Quilombo dos Palmares, principal refúgio e foco de resistência antiescravista do período colonial.
A escolha da data remonta a 1971, proposta pelo Grupo Palmares em Porto Alegre, reunindo pensadores como o poeta Oliveira Silveira. O movimento ganhou projeção nacional em 1978 ao ser acolhido pelo Movimento Negro Unificado (MNU).
Nas últimas décadas, a data alcançou amparo legal em etapas sucessivas: em 2003, a Lei Federal nº 10.639 inseriu a história e a cultura afro-brasileira nas escolas; em 2011, a Lei nº 12.519 oficializou a homenagem no calendário nacional; por fim, a Lei nº 14.759, sancionada no encerramento de 2023, estabeleceu o 20 de novembro como feriado em todo o país.
