Taka sofre mais uma derrota política e Lula vence com mais de 56 mil votos de vantagem
Apesar de carreata, mobilização de aliados e apoio público a Flávio Bolsonaro, prefeito não consegue levar seu candidato à vitória; resultado reafirma a força eleitoral do PT na cidade
O prefeito de Diadema, Taka Yamauchi (MDB), sofreu uma derrota política neste domingo (25), com a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre seu candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL). Apesar do envolvimento do emedebista na campanha, o petista recebeu 156.935 votos, equivalentes a 61,04% dos válidos, contra 100.154 do senador. A diferença de 56.781 votos impôs um revés à articulação do prefeito no município.
Além disso, a vantagem de Lula cresceu em relação ao primeiro turno, quando o presidente havia superado Flávio por 35.762 votos na cidade. No confronto decisivo, essa distância aumentou em 21.019 votos, evidenciando que a mobilização do grupo governista não foi suficiente para reverter a preferência do eleitorado diademense.
Mobilização
Na tentativa de fortalecer Flávio, Taka reuniu aliados e participou de uma carreata no sábado (24), véspera da votação. O prefeito também divulgou a atividade nas redes sociais, com a mensagem: “Energia incrível hoje (24/10) durante a carreata em prol do candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro”. Contudo, a demonstração de apoio nas ruas não se traduziu em vitória nas urnas.
A ofensiva incluiu ainda publicações com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e pedidos de voto no candidato do PL. Mesmo com essa associação política e a mobilização na reta final, o prefeito viu Lula ampliar sua votação e vencer novamente na cidade.
Repetição
O resultado, porém, não representou um episódio isolado nas eleições deste ano. No primeiro turno, Diadema já havia contrariado o alinhamento político de Taka ao dar a vitória local a Fernando Haddad (PT) na disputa pelo governo paulista, além de colocar Lula na liderança da corrida presidencial.
Embora Tarcísio tenha sido reeleito governador no primeiro turno, Haddad recebeu 110.289 votos em Diadema, contra 107.394 do candidato apoiado pelo prefeito. A diferença de 2.895 votos fez do município o único do Grande ABC em que o petista superou o governador.
Na disputa presidencial, por sua vez, Lula havia conquistado 125.594 votos na primeira etapa, enquanto Flávio recebeu 89.832. No segundo turno, o presidente acrescentou 31.341 votos à sua votação local, diante de um crescimento de 10.322 do adversário.
Resistência
Além das disputas majoritárias, a votação para deputado estadual também revelou a presença eleitoral petista. Josa Queiroz (PT) liderou no município, com 25.281 votos, à frente de Márcio da Farmácia (Cidadania), que recebeu 18.135, e de Carla Morando (PSD), apoiada por Taka, que somou 11.312.
Nesse contexto, a vitória de Lula reforça que a perda da Prefeitura em 2024 não eliminou a força do PT em Diadema. Dois anos depois da eleição de Taka, o partido manteve capacidade de mobilização e colocou seus candidatos à frente nas disputas locais para presidente e governador, além de liderar a votação para a Assembleia Legislativa.
O contraste também remete à campanha municipal de 2024, quando Tarcísio esteve na cidade e defendeu a oportunidade de “varrer o PT”. Entretanto, os resultados de 2026 mostram os limites daquela mensagem: o partido perdeu o comando do Executivo municipal, mas preservou uma base eleitoral expressiva.
